O Que Michael Jackson Pode Ensinar Sobre Mindset, TCC e a Forma Como Falamos com Nós Mesmos

Em meio à repercussão do filme Michael, uma cena me chamou atenção de forma especial: Michael Jackson olhando frases no espelho com mensagens como “você é o melhor”, “você consegue” e “seu álbum vai bater recordes”. Mais do que excentricidade, aquilo revela algo profundamente humano — a forma como construímos a percepção sobre nós mesmos.

Muito antes do “mindset” virar moda

Hoje, palavras como “mindset”, “mentalidade” e “programação mental” aparecem o tempo todo nas redes sociais. Mas, observando aquela cena do filme, pensei em algo importante:

👉 Michael Jackson parecia intuitivamente entender algo que a psicologia estuda há décadas:

a forma como pensamos influencia diretamente a forma como sentimos, agimos e persistimos.

E isso conversa muito com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

O diálogo que temos com nós mesmos

Na TCC, entendemos que nossos pensamentos impactam emoções e comportamentos.

Ou seja:

👉 a forma como você fala consigo mesmo não é neutra.

Se alguém passa anos repetindo internamente:

  • “eu não sou bom o suficiente”
  • “eu nunca consigo”
  • “vai dar errado”

o cérebro começa a responder emocionalmente a isso.

E talvez Michael, de certa forma, estivesse tentando fazer o contrário.

Ao espalhar afirmações pelo espelho, ele criava lembretes constantes sobre quem acreditava poder se tornar.

Carol Dweck e a mentalidade de crescimento

A psicóloga Carol Dweck, no livro Mindset, fala sobre dois tipos de mentalidade:

  • mentalidade fixa
  • mentalidade de crescimento

Pessoas com mentalidade fixa acreditam que talento e capacidade são imutáveis.

Já pessoas com mentalidade de crescimento entendem que habilidades podem ser desenvolvidas com prática, esforço e persistência.

E talvez uma das coisas mais interessantes ao olhar para Michael Jackson seja perceber que, por trás do talento gigantesco, existia também alguém obcecado por evolução.

👉 não apenas em cantar melhor
👉 mas em acreditar que poderia ir além.

Mas atenção: isso não é “pensamento mágico”

Existe um perigo quando esse assunto aparece na internet: transformar tudo em “basta pensar positivo”.

E não é disso que estamos falando.

A TCC não defende negar problemas, fingir felicidade ou repetir frases vazias esperando que a realidade mude sozinha.

O ponto é outro:

👉 pensamentos influenciam comportamento.

E comportamento influencia resultados.

Se você acredita que não consegue, provavelmente evita.
Se evita, pratica menos.
Se pratica menos, evolui menos.

Percebe o ciclo?

O espelho do banheiro talvez diga mais sobre nós do que sobre Michael

O que mais me chamou atenção naquela cena do filme não foi o estrelato.

Foi perceber como quase todo mundo faz isso — só que ao contrário.

Enquanto Michael colava frases como:

  • “você consegue”
  • “você será o melhor”

muita gente passa o dia repetindo mentalmente:

  • “eu não dou conta”
  • “vai dar errado”
  • “não sou suficiente”

👉 E o cérebro escuta.

O que isso tem a ver com terapia?

Na prática clínica, boa parte do processo terapêutico envolve justamente isso:

  • perceber padrões automáticos de pensamento
  • questionar interpretações rígidas
  • construir formas mais funcionais de enxergar a si mesmo

Não se trata de virar otimista o tempo todo.

Mas de deixar de ser automaticamente cruel consigo mesmo.

O filme Michael talvez esteja sendo visto por muita gente apenas como entretenimento ou nostalgia.

Mas aquela pequena cena dos papéis no espelho traz uma reflexão poderosa:

👉 a maneira como você conversa consigo mesmo pode fortalecer… ou limitar… quem você acredita ser.

E talvez o ponto não seja repetir frases motivacionais.

Talvez o ponto seja começar a perceber quais frases você já repete todos os dias sem nem notar.

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